Tentas sempre fugir, esconder-te, camuflar-te num arvoredo de mentiras e enganos mas acabas sempre por cometer o erro de mostrar um pedaço de tecido.
Eu tento mentalizar-me que fugis-te mas acabo sempre por ver pegadas tuas no meio do caminho e não consigo controlar o impulso de as seguir.
E agora? Quem está errado, afinal? Quem está a ser o fraco, o desistente? Nenhum. Apenas não conseguimos esconder o que sentimos.
Porém, o nosso orgulho é tão grande que já não somos capazes de admitir a paixão que sentimos. Para não mostrarmos a nossa fraqueza decidimos substituir o "forte" amo-te, por um "fraco" adoro-te (ridículo certo?). Continuo a sentir o teu cheiro, o toque dos teus lábios nos meus, os teus fortes braços enrolados a volta do meu corpo,... Nada disso foi um engano, eu sei que foi sentido e verdadeiro.
Mas "quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio" (Ricardo Reis), para quê tantas angustias, preocupações e sofrimento, se no fim todos temos o mesmo destino?
Vou, então, ficar "ouvindo correr o rio e vendo-o" (Ricardo Reis).